O que seu filho pode aprender com o álbum da Copa?

 

Mais do que um hobbie, colecionar pode ser um ótimo exercício de responsabilidade para as crianças. Afinal, é preciso organização para manter o controle sobre quantos cromos já tem e quais são os que ainda faltam.

 

Além disso, durante a troca com colegas, amigos e até outros adultos, seu filho aprende que pode ter algo “novo” e doar o que não tem mais função para ele sem precisar gastar dinheiro. De quebra, tem a chance de manifestar os desejos e de se comunicar com pessoas diferentes – aprendendo a negociar, ser flexível e lutar pelo que deseja. É importante que você esteja sempre por perto, mas sem interferir, para que ele tenha autonomia e consiga decidir o que lhe parece justo por conta própria. Assim, se achar que vale trocar 5 cromos por um brilhante, deixe com ele.

 

Desenvoltura para realizar a troca e paciência para aceitar que não conseguirá todas as figurinhas de uma vez são outras lições proveitosas para seu filho. Ao colecionar, seja um álbum, carrinhos ou qualquer outro objeto, o pequeno, claro, ficará ansioso para ver um volume bom do que conseguiu acumular. Mas está aí uma oportunidade para compreender que tudo tem seu tempo e que é preciso lidar com a ansiedade.

 

E se os amigos terminarem a coleção antes dele? Nada de querer amenizar a frustração do seu filho comprando um número ainda maior de pacotinhos, por exemplo.  Lembre-se que, ao deixar que se frustre algumas vezes, sempre com seu afeto e apoio, ele será um adulto mais compreensivo. Crescer sem decepções pode criar a ilusão de um mundo perfeito – e isso trará, no futuro, problemas de convivência e de interação.

 

Outros ganhos com as coleções

É válido dizer que colecionar figurinhas acaba aproximando ainda mais a família, já que, neste momento, não é raro ver pais, mães e avós ajudando as crianças nesse troca-troca, inclusive com os aplicativos que surgiram por conta da febre dos cromos. “Como o interesse pelo futebol é típico do nosso país, é um assunto que agrada e aproxima as diferentes gerações. A criança consegue conversar de igual para igual não só com outras crianças, mas com o idoso e com o adulto”, explica a psicóloga Rita Calegari, do Hospital São Camilo (SP).

 

Enquanto folheia as páginas, estimule a curiosidade do seu filho e pergunte: Onde fica o Irã? Qual a música típica da Islândia? O que quer dizer o hino da França? Assunto é o que não falta e descobrir as respostas juntos será mais um momento de conexão entre vocês. “Vale ressaltar também a satisfação que a criança tem quando completa o álbum. É uma construção, uma conquista que exige esforço, paciência e troca para que a tarefa seja concluída. É um exercício de responsabilidade importante para a criança, além de ser gratificante e uma ótima recordação para quando ela for mais velha”, afirma Rita. Por todo esse entusiasmo, tão logo seu filho complete o álbum, ele pode se engajar para ajudar o irmão, os amigos ou os parentes a conseguirem as figurinhas que estão faltando.

 

De acordo com a professora Mary Yoko Okamoto, do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade Estadual Paulista (Unesp), coleção remete a valor simbólico, algo que, nos dias de hoje, está cada vez mais raro. “Nós vivemos num mundo onde os bens materiais são muito valorizados. A gente descarta tudo muito rápido porque temos a noção de que as coisas ficam velhas rapidamente também. Acho que o mais importante é a gente ensinar para as crianças que vale a pena se engajar naquilo que tem valor simbólico para a gente”, diz. Por isso, antes de pensar em comprar um novo brinquedo para o seu filho, considere começar uma coleção com ele. Além de engajamento e união, você estará ajudando-o a construir boas recordações para o futuro.

 

FONTE: Revista Crescer - visto em 20/06/2018 (adaptado)

 

 

 

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