Ellen Tadd: ‘as crianças precisam de desintoxicação’

February 20, 2020

Cada vez mais crianças têm sido diagnosticadas com depressão e ansiedade. Precisamos buscar a origem desses problemas na relação corpo-mente

 

esposta para o relaxamento.” Este foi o termo científico que o médico e pesquisador estadunidense, Herbert Benson, utilizou para descrever a meditação. Seu trabalho ofereceu uma grande contribuição para o entendimento geral de que o nosso estado mental tem um considerável impacto na saúde do corpo. Há mais de quarenta anos, Benson levou meditadores para um laboratório da escola de medicina de Harvard e descobriu algo que já era apontado por tradições milenares: durante a meditação ocorrem mudanças fisiológicas drásticas. Fenômenos como desaceleração dos batimentos cardíacos, redução da pressão arterial e até transformação de ondas cerebrais em ondas Theta.

A conexão mente-corpo é real. Porém, o caminho inverso não deixa de ser verdadeiro. A saúde do nosso corpo – ou a falta dela – também afeta a saúde emocional. Anos atrás, atendi um cliente, cuja filha fora diagnosticada com ansiedade grave. Ela estava tomando calmantes, apesar de ainda frequentar o ensino fundamental. A família morava em uma região que passava por uma epidemia de doença de Lyme, então sugeri à mãe que fizesse um teste para obter a confirmação. Como era previsível, depois de abandonar os calmantes e receber o tratamento para a doença em questão, a ansiedade passou.

 

O mal estar físico é, muitas vezes, acompanhado por alguma forma de ansiedade, desânimo ou medo.

 

Recentemente, vivenciei a conexão corpo-mente após passar por uma sessão de hipotermia, uma terapia que leva o corpo a um estado febril temporário para reforçar o sistema imunológico. À medida que a minha temperatura se elevava além do normal, notei que eu ficava mais ansiosa, mesmo sabendo o que estava acontecendo com o meu corpo. Foi fascinante observar a minha resposta emocional ao meu estado físico.

De modo semelhante, crianças podem ser especialmente vulneráveis à conexão corpo-mente quando não compreendem por que não estão se sentindo bem. Essa conexão é expressa em situações corriqueiras. É comum, por exemplo, uma criança passar por uma crise emocional quando, na verdade, só precisa de uma soneca ou de um lanche.

A questão é que o estado tóxico do mundo agrava esse fenômeno natural. Todos nós somos expostos a uma variedade de vírus, bactérias, mofos, metais pesados, pesticidas, agrotóxicos, além de uma quantidade enorme de produtos químicos. Nossos corpos estão sobrecarregados por uma carga tóxica sem precedentes. Crianças são especialmente vulneráveis aos tóxicos, porque seus corpos são menores e ainda estão em desenvolvimento.

 

Toxinas passam para o feto, dentro do útero, e as novas gerações sofrem com o aumento da exposição dessas substâncias danosas.

 

Não me surpreende que mais e mais crianças estejam sendo diagnosticadas com depressão, ansiedade e dificuldades de aprendizagem, sem levar em conta a origem física desses problemas. O resultado é um aumento de medicamentos receitados durante a infância. Minha sugestão, portanto, é que quando surgirem esses sinais, seja feito um teste de exposição a elementos tóxicos e deficiências nutricionais. Lembre-se, a conexão corpo-mente existe.

Então, como podemos ajudar uma criança a, gradualmente, purificar o seu corpo, eliminando toxinas? Primeiramente, é preciso ter consciência e cuidado para proteger a criança da exposição aos tóxicos. Seja o mofo no porão, obturações dentárias com amálgama de mercúrio, comidas com agrotóxicos ou plásticos que emitem gases. Sabendo da possibilidade de transmissão de toxinas para o feto, seria bom que as mulheres que estão planejamento uma gravidez fizessem uma desintoxicação. Isso ajudaria a fortalecer seus corpos em preparação para a formação de uma criança saudável. Quem me dera eu tivesse feito um detox antes da gravidez dos meus filhos.

 

Quando eu era criança, meu pai dizia que se o termômetro quebrasse, eu deveria chamá-lo imediatamente, porque o mercúrio dentro dele era perigoso e poderia me deixar doente. Ele não teve o mesmo cuidado quando me levou ao dentista, que colocou obturações, contendo cinquenta por cento de mercúrio, nos meus dentes. O condicionamento cultural ofuscou a mente do meu pai, um cientista que, sem querer, aumentou a minha carga tóxica. Eu conto essa história para ressaltar as dificuldades de proteger as crianças em um mundo que oferece muitas práticas perigosas e informações confusas ao público.

 

Como adultos, precisamos ser cuidadosos e conscientes para proteger nossos filhos desse mundo tóxico. Leia rótulos e compre apenas produtos naturais para a pele e cabelos. O mesmo deve ser feito para detergentes e demais produtos de limpeza. Ao comprar móveis, tapetes ou um carro novo, procure saber como eles podem emitir gases químicos. Eu me lembro de quando uma antiga locadora quis repor o piso do meu escritório. Antes do serviço ser realizado, descobri que o carpete escolhido emitiria gases tóxicos por cinco anos. Acabei optando por um piso de cortiça.

 

Todos nós precisamos estar alertas e não partir do pressuposto de que qualquer produto é seguro.

 

Incentive as crianças a beberem muita água para limpar seus sistemas e também a comer frutas e legumes frescos e orgânicos, quando possível. Alimentos fermentados ajudam a reforçar o sistema intestinal. Fique de olho para saber se brinquedos, colchões, lençóis, panelas e outros produtos domésticos contribuem para a carga tóxica ou reforçam um corpo saudável.

Não deixe as crianças economizarem no sono, um período durante o qual o corpo se desintoxica naturalmente. Ensine hábitos saudáveis e eduque as crianças para evitar toxinas, para identificar alimentos saudáveis e a fazer escolhas sobre o uso da água que ajudem a saúde delas e do planeta.

Além disso, uma desintoxicação mais intensa pode ser feita sob a supervisão de um profissional da saúde qualificado. Mas muito pode ser feito dentro de casa para ajudar o corpo a neutralizar, processar ou eliminar toxinas, quando a exposição não está acima do que o organismo aguenta.

 

A pele é uma grande aliada da desintoxicação, por isso é saudável incentivar crianças a praticar exercícios, correr em áreas abertas e suar.

 

Eu conhecia um menino que tinha crises, porque sempre achava que sua meia estava embolada ou sua calça estava apertada. Um teste apontou níveis prejudiciais de exposição a metais pesados. Após se tratar com Chlorella por vários meses – uma abordagem suave para a desintoxicação de metais pesados – ele passou a se vestir de manhã sem problema algum.

Em geral, existe muito medo e discussões sobre as mudanças climáticas, uma preocupação que eu também compartilho. Um problema pouco discutido, no entanto, é o envenenamento global. Uma história clássica exemplifica esse problema: quando um sapo é jogado na água fervendo, ele pula pra fora; mas quando um sapo é colocado em uma água que é fervida lentamente, ele não pula para fora. Essa analogia se aplica ao envenenamento global. Todos nós somos impactados, especialmente as crianças e as futuras gerações, mas o efeito pode ser lento e complexo, levando muitos a não notarem a seriedade do problema.

 

Se prestarmos atenção ao número de crianças tomando medicamentos para ansiedade, depressão e dificuldades de aprendizagem, veremos um sinal de alerta  para esse cenário.

 

FONTE: LUNETAS.COM.BR

 

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